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18-10-2009
O Brasil do futuro já é presente
Desde a mais tenra infância, ouvi reiteradas vezes que o Brasil era o país do futuro. Como o único tempo verbal possível de viver é o presente, confesso que algumas vezes este prognóstico desafiava minha capacidade patriótica.
Constato, porém, que esse Brasil do futuro já é presente. Finalmente alcançamos este horizonte.
Nele está uma nação que se tornou credora internacional e acumulou este ano recorde histórico de reservas (US$ 230 bilhões, segundo o Banco Central); um país que se preparou para a crise energética (o pioneirismo do biocombustivel é todo nosso) e tem uma das mais sustentáveis matrizes energéticas do planeta, a hidroeletricidade.
Neste horizonte também está a estabilidade do sistema financeiro, o que permitiu registrar ano passado aumento de 5,1% do PIB no exato instante em que boa parte do mundo mergulhava em crise.
Um Brasil que, não sem razão, é tratado como celeiro do mundo. Em 2008 produziu novo recorde agrícola, com safra superior a 140 milhões de toneladas - um aumento de 9% em relação ao ano anterior, de acordo com o IBGE.
Por seu planejamento e performance, aliado as dimensões continentais e a fartura dos recursos naturais (além de dispor de duas das maiores bacias hidrográficas do mundo, agora descobre reserva generosa de petróleo na camada pré-sal), o Brasil colhe mais do que dividendos econômicos perante a comunidade internacional.
A eleição por quase a unanimidade dos votos para integrar (ainda de forma não-permanente, é verdade) o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas faz parte desta colheita.
Sou, com orgulho, testemunha desse processo. Durante uma semana, dentro da sede da ONU em Nova Iorque (que por sinal recebe e se despede de seus convidados com obras de Portinari), constatei in loco o fôlego novo deste país do presente.
Não foi coincidência a eleição na ONU. Assim como não há componente de sorte na escolha do país para sede da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e das Olimpíadas em 2016.
Estes eventos só reforçam que, sim, o futuro já chegou. Na próxima década, figuraremos entre as cinco maiores economias do mundo. Seremos 200 milhões em ação movendo as engrenagens deste gigante.
Assim como ocorre no microcosmo humano, em que o amadurecimento está necessariamente atrelado ao aumento das responsabilidades, da mesma sorte este Brasil maior, mais pujante e influente necessitará se debruçar sobre como desfrutará este novo momento.
Deste ângulo da história, o fluxo dos impulsos econômicos e desenvolvimentistas é apenas um dos compromissos que este Brasil do presente deve assumir perante seus cidadãos e perante o mundo.
O fortalecimento das instituições e da democracia (o governo dos homens livres, conforme expressava Aristóteles no século IV a.C.) é obrigação maior.
Desta forma, Bóreas, o vento inconstante, símbolo da política mencionado pelo filosofo grego, pode ir e vir no cenário brasileiro sem provocar estragos – nem sobre o país nem sobre seu povo.
Estarão resguardados os objetivos de paz, direitos humanos e desenvolvimento – conquistas só possíveis dentro de sistemas democráticos, conforme prenunciou o atual secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Salvo o hiato formado entre 1964 e 1984, pra ficar circunscrito à história mais recente, podemos dizer ao coreano Ki-moon: vocação para vivermos em liberdade e em paz - e agora em desenvolvimento - nós temos: está em nosso DNA social.
Afinal, que outro país do mundo acolhe em terras de dimensões continentais povos de todo o mundo, falando um só idioma, praticando livremente seus credos e crenças?