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21-02-2010
Para manter o orgulho nacional
Se tem um ícone nesta marcha do Brasil rumo ao primeiro mundo, certamente é a Petrobrás.
Quarto lugar no ranking das maiores petrolíferas de capital aberto do mundo; referência em explorações de petróleo em águas profundas; integrante do seleto grupo de empresas cujo valor de mercado em bolsa supera cem bilhões de dólares, com ações que valorizaram 1200% em dez anos, embaladas por lucros recordes anuais (R$ 25,9 bilhões em 2006).
Sim, a Petrobrás virou um orgulho nacional, referendada pelos números que dimensionam sua incrível performance. Toda essa envergadura, porém, não pode ser usada pela empresa como blindagem. E é o que efetivamente vem ocorrendo.
Primeiro quando a base aliada ao Palácio do Planalto engavetou CPI que investigaria a cúpula da empresa – ação que boa parte dos brasileiros aplaudiu por entender que a oposição usava o maior trunfo do Governo Lula como arma política, ensejando dessa forma risco para a saúde financeira da empresa.
A segunda blindagem ocorreu na virada do ano, quando o presidente Lula liberou recursos do Orçamento da União para obras da Petrobrás com suspeitas de irregularidades graves, identificadas pelo Tribunal de Contas da União.
A suspensão dos recursos havia sido recomendada pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional – da qual faço parte – depois que representantes da Petrobrás deram um show de displicência na oportunidade dada pela CMO para explicar as irregularidades apontadas pelo TCU.
Dois atos, duas interpretações.
A primeira tratava-se de uma ação política que exporia a empresa em debates motivados pela pauta eleitoral.
A segunda, porém, não poderia ser ignorada. Nos relatórios dos técnicos do TCU, dados apontam distorções, números conflitantes, informações que precisam sim ser respondidas pela empresa que abocanha atualmente a maior fatia de recursos públicos destinados a estatais.
A Petrobrás resolveu ignorar. Compromete, desta forma, o respeito que a nação brasileira sente por este gigante nacional. Parafraseando a história bíblica, Golias pode não ter caído, mas baqueou.