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Artigos

19-07-2010

O que os olhos não vêem, o bolso sente

É preciso passar com louvor em um teste oftalmológico para escapar das armadilhas que aguardam o consumidor em uma fatura de cartão de crédito.

Eu, que não passaria, usei uma lupa.

E o que as lentes de aumento proporcionaram foi um verdadeiro passeio – muito didático, por sinal – pelos crimes que se pode praticar contra o consumidor.

Parece exagero, mas (acredite) dizer qualquer coisa mais light caracterizaria eufemismo. E não é nada eufemista a voracidade com que as poucas (e bilionárias) operadoras avançam sobre o bolso do consumidor nacional.

Os juros anuais ultrapassam 500%. Mensalmente chegam a 15,99%, ignorando solenemente a estabilidade monetária do País.

Dizem que é por causa da inadimplência. Não deve ser, pois o que as operadoras têm feito é justamente estimular a dívida. Imploram, em seus jogos de esconde/ revela: parcelem; paguem apenas o mínimo; devam por  favor.  Só assim podem aplicar esta carga de juros que não encontra correlata em nenhum outro mercado do mundo.

As operadoras ditam suas taxas e engenhosamente apresentam mais custos. A Hipercard, por exemplo, acabou de criar uma taxa adicional, de 1,99%, que incidirá a partir de agosto sobre as faturas de seus clientes que ousarem pagar contas acima de R$ 600.

Como o assalto se institucionaliza? Pela falta de regras, de controle, de monitoramento.

Reitero que o que está sendo combatido aqui não é o instrumento. Cartão de crédito é um meio seguro, moderno e de acesso fácil ao crédito. Deve – e vai – continuar fazendo parte da vida do consumidor nacional. Mas não como agente de usura.

No ramo dos cartões de crédito, reina uma liberalidade inacreditável – especialmente quando se tem acesso ao lucro líquido do setor (algo em torno de 40 bilhões anuais).

Regulamentar, submeter ao crivo do Banco Central, é a única saída para imprimir freio necessário ao setor.

Mas, pelo menos aparentemente, o governo sinaliza que não enxerga a arapuca que endivida o consumidor brasileiro. Mesmo que optem por continuar míopes, não esconderão a verdade. Porque os olhos podem até não ver, mas o bolso (esse sim) sempre sentirá.

É preciso passar com louvor em um teste oftalmológico para escapar das armadilhas que aguardam o consumidor em uma fatura de cartão de crédito.

Eu, que não passaria, usei uma lupa.

E o que as lentes de aumento proporcionaram foi um verdadeiro passeio – muito didático, por sinal – pelos crimes que se pode praticar contra o consumidor.

Parece exagero, mas (acredite) dizer qualquer coisa mais light caracterizaria eufemismo. E não é nada eufemista a voracidade com que as poucas (e bilionárias) operadoras avançam sobre o bolso do consumidor nacional.

Os juros anuais ultrapassam 500%. Mensalmente chegam a 15,99%, ignorando solenemente a estabilidade monetária do País.

Dizem que é por causa da inadimplência. Não deve ser, pois o que as operadoras têm feito é justamente estimular a dívida. Imploram, em seus jogos de esconde/ revela: parcelem; paguem apenas o mínimo; devam por  favor.  Só assim podem aplicar esta carga de juros que não encontra correlata em nenhum outro mercado do mundo.

As operadoras ditam suas taxas e engenhosamente apresentam mais custos. A Hipercard, por exemplo, acabou de criar uma taxa adicional, de 1,99%, que incidirá a partir de agosto sobre as faturas de seus clientes que ousarem pagar contas acima de R$ 600.

Como o assalto se institucionaliza? Pela falta de regras, de controle, de monitoramento.

Reitero que o que está sendo combatido aqui não é o instrumento. Cartão de crédito é um meio seguro, moderno e de acesso fácil ao crédito. Deve – e vai – continuar fazendo parte da vida do consumidor nacional. Mas não como agente de usura.

No ramo dos cartões de crédito, reina uma liberalidade inacreditável – especialmente quando se tem acesso ao lucro líquido do setor (algo em torno de 40 bilhões anuais).

Regulamentar, submeter ao crivo do Banco Central, é a única saída para imprimir freio necessário ao setor.

Mas, pelo menos aparentemente, o governo sinaliza que não enxerga a arapuca que endivida o consumidor brasileiro. Mesmo que optem por continuar míopes, não esconderão a verdade. Porque os olhos podem até não ver, mas o bolso (esse sim) sempre sentirá.

 


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