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01-08-2010
A voz das urnas não escreve o que diz
Dia 3 de outubro, dois milhões 740 mil 79 paraibanos irão às urnas.
Para atender essa multidão, na maratona de oito horas de votações, 1.739 sessões serão montadas, equipadas com 10.163 urnas eletrônicas, operadas por um batalhão de pessoas – algo em torno de 34 mil cidadãos escalados pelo TRE da Paraíba.
O anúncio do resultado deve bater novo recorde de velocidade: os eleitos serão conhecidos em menos de uma hora após o encerramento das votações.
Não tem como ficar indiferente: os números das eleições sempre impressionam.
Entre todos eles, porém, um chama (ainda mais) a atenção:
A imensa maioria dessa legião convocada pela Justiça Eleitoral paraibana irá se deparar com todo esse aparato tecnológico desprovida de uma munição essencial: a alfabetização.
As estatísticas do tribunal são reveladoras: 11,4% são analfabetos; Outros 27,8% integram o grupo dos analfabetos funcionais (pessoas que sabem ler e escrever, mas que são incapazes de interpretar um texto ou um simples anúncio); e 30,8% deixaram de freqüentar a escola antes de concluir o primeiro grau.
Juntos, estes percentuais sinalizam que 70% da população local apresenta níveis dramáticos de escolaridade.
Não é preciso ser Gilberto Freyre para inferir que os números explicam as escolhas, que explicam o descompasso econômico, que explicam (e justificam) a dependência umbilical com o poder público.
Neste circulo nada virtuoso, a Paraíba se eterniza no Brasil que se recusa a crescer. É condenada à atrofia tendo em vista que, no tecido social, a educação figura como o músculo mais vigoroso.
Obviamente, não se trata de excluir analfabetos do processo democrático. Os vetos que no passado excluíram os iletrados, mulheres e pobres devem ficar lá mesmo, na pré-história eleitoral.
Estes números, porém, não podem ser sorrateiramente varridos para debaixo dos tapetes de nossa vergonha social. Encará-los de frente é a única forma de conquistar sua reversão – uma meta, aliás, que deve ser encarada como prioritária pelos eleitos.
Pois não há Paraíba pequenina que se agigante enquanto sua população tropeça nas sílabas do desenvolvimento.