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08-08-2010
Remédio que mata
Mesmo quando nem se cogitava a composição de uma indústria bilionária de laboratórios, o homem sempre lançou mão de algum preparo - uma fórmula usualmente manipulada de geração a geração - para curar seus males.
Possivelmente foi essa herança cultural que fez com que o homem capitulasse, para além da conotação medicinal, que para todo o mal haverá sempre de existir um remédio.
Para a solidão, o amor. Para a grosseria, educação. Para a pobreza, dinheiro.
A posologia prescrita recomenda que a moeda chegue à mão de quem quer produzir, mas não tem os recursos necessários para colocar seus planos empreendedores em ação.
Essa seria a função das instituições financeiras, especialmente as de caráter público: atuar como uma injeção de ânimo junto aos setores produtivos do País. E foi justamente com este propósito que surgiram bancos como o BNDES e o BNB – especialmente este último, que é suprido pelo FNE, o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste.
A missão? Servir de antídoto contra o subdesenvolvimento.
O remédio, porém, virou veneno.
Em um agricultor de Caiçara, rendeu uma ponte de safena, a hipoteca de sua propriedade e uma dívida que se multiplicou em mais de cinqüenta vezes – saiu dos R$ 2.400 emprestados pelo BNB para R$ 120.600.
Infelizmente, o infortúnio do agricultor paraibano não é caso isolado. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, até ano passado o débito dos produtores da região estava acumulado em 75 bilhões (e os números se referem apenas ao passivo em negociação).
Alguns perdões foram concedidos. Mas quem não passou na peneira virou refém da burocracia, da proliferação de leis e impostos, da complexidade matemática dos cálculos dos juros.
Esses dados mostram que, feitos para extirpar a pobreza, as instituições estão minando a saúde financeira de quem quer produzir, gerar empregos, viabilizar circulação de renda.
Na soma final desta equação, quem acaba sepultada é a economia do País, tendo em vista que o remédio que o governo ministra para tirar sua gente da pobreza está, na verdade, matando nosso sistema produtivo.