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Artigos

11-11-2010

Imprensa livre: sim, somos barulhentos

Muitos brasileiros se reportam a ditadura como uma mancha negra de nossa história. Seja qual for a coloração que lhe é de direito, o fato inequívoco é que o silêncio ensurdecedor da repressão valoriza, na plenitude desta democracia, o barulho que embala a liberdade – mesmo quando incomoda.
 
E, verdade seja dita, incomodou durante esta eleição. Tanto que acabou transformando a campanha em trampolim para a discussão sobre em que níveis de solidez opera hoje a liberdade de imprensa no País.
 
Alguns veículos chegaram a especular, em seus editoriais, sobre uma suposta onda formada a partir do epicentro do poder com potencial de tsunami sobre o ideal democrático.
 
Tratou-se de uma marola política? Independente dos juízos de valores construídos neste momento - e que o tempo e o vento tratarão de dar a devida proporção - é alentador assistir o ciclo eleitoral se fechando com a postura empregada pela presidente Dilma Rousseff.
 
Inegavelmente atacada por alguns veículos, que chegaram inclusive a manifestar predileção pela campanha tucana, a presidente - já eleita – comprovou que não tem vocação para a repressão, ainda que tenham tentado lhe impregnar com a pecha de radicalismo.
 
Foi bastante ilustrativa sua presença na bancada do Jornal Nacional, mostrando que não está disposta a colocar em xeque nossos valores democráticos, fazendo o jogo de acepção entre apoiadores e oposição.
 
Lá, diante de um honrado Bonner, pouca mais de 24 horas após sua eleição, exibiu ouvidos, boca e sobretudo coração aptos a conviver com o zunido persistente da mídia brasileira.
 
Materializou, de forma pragmática, o que já havia tantas vezes repetido nos palanques: “alguém que, como eu, lutou arriscando a própria vida pela liberdade, sempre irá preferir o barulho da imprensa livre ao silêncio da ditadura”.
 
Parafraseando a presidente, alguém que, como eu, já tive que me despedir de um ente querido ao exercitar a liberdade de informação, sempre haverá de merecer respeito de quem não se agrada de meu barulho.


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