O mundo está em guerra - uma menos bélica, é verdade, porém não menos violenta. Nesta contenda, as armas também têm poder de destruição em massa e estão engatilhadas contra inúmeras nações, notadamente as mais pobres.
Já se podem ouvir os estampidos distribuídos a partir dos centros financeiros mundiais. E o efeito será devastador, arrasando economias, abalando os alicerces dos países em desenvolvimento - em cuja fronteira financeira se insere o Brasil - e colocando em carne viva as esperanças de se distribuir com mais justiça as riquezas mundiais.
Nesta nova guerra, o dumping aparece como uma das armas mais letais. Armado com subsídios criminosos, e câmbios fixados ao sabor da ganância, amputa as chances de uma guerra limpa (se é que é possível haver higiene moral em um confronto) e avança sobre o front ignorando os acenos de bandeira branca. A meta é destruir a concorrência a qualquer custo.
Se este arsenal não for neutralizado, estaremos condenados a nova rendição às grandes potências - especialmente o voraz exército vermelho, que marcha da China arrasando adversários nas disputas de mercado com câmbios fixados na conveniência de seu varejo.
E, claro, os Estados Unidos, que inundam o mundo com sua moeda - U$ 600 bilhões foram jogados em diversos mercados somente nos últimos meses -, barateando seu dinheiro e, por conseguinte, seus produtos.
Este é o efeito mais nocivo desta nova guerra: força o restante do mundo a migrar para a bancarrota. Quebradas, com seus produtos empacados na vitrine mundial, as empresas perdem musculatura na briga e comprometem todos os sinais vitais da economia.
E as notícias que chegam do front não animam. A última delas foi ventilada no G20 em Seul, quando os gigantes até se comprometeram a levantar o tapete e enxergar a sujeira que estão promovendo contra a conta corrente mundial, mas sem dizer como nem quando.
Sinalizam, infelizmente, que o plano é ganhar tempo e nos mandar a conta dos banquetes consumistas do Primeiro Mundo - aqueles para os quais nunca fomos convidados.
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