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Artigos

25-11-2010

Vilões do Natal

Fim de ano + Compras + Cartões de crédito. Eis uma associação pra lá de perigosa, que pode render preocupações – e arrochos - por todo o calendário seguinte. São 365 dias para se arrepender de ter embarcado nas campanhas sedutoras de crédito fácil com as quais as operadoras bombardeiam os consumidores do País, especialmente nesta época de consumo acelerado.
 
Os juros proibitivos – que podem ultrapassar a casa dos inacreditáveis 500% anuais – se somam agora às diferenciações de preços praticadas pelo comércio nas operações com cartões.  
 
Contrariando o que reza o Código de Defesa do Consumidor, as vitrines reeditaram neste final de ano os cartazes que informam preços para pagamento à vista e os acréscimos para as compras via cartão – uma prática que há muito estava abolida por força das leis de consumo do País.
 
Mas, antes de eleger os comerciantes como os vilões do Natal, é preciso descortinar o que está nos bastidores desta ação que atenta contra os bolsos dos consumidores.
 
E o que encontramos lá são as operadoras de cartões compondo mais um capítulo desta saga onde personificam papéis de verdadeiras vilãs da economia nacional, com taxações extorsivas, truques que driblam a legislação e empurram os brasileiros para o endividamento, além de lobbies agressivos para fugir do controle do sistema financeiro.
 
Ancoradas pela liberdade quase irrestrita, só possível graças à ausência de regulamentação, as operadoras decidiram agora que podem postergar o pagamento que é devido aos lojistas.
 
O reembolso vem ocorrendo com prazos superiores a trinta dias. E, claro, sem as correções aplicadas nas faturas dos usuários dos cartões.
 
Trata-se de um verdadeiro atentado contra o capital de giro dos comerciantes que, sem saída, passam a conta para o consumidor, embora sujeitos a multas e autos de infrações.
 
Os únicos ilesos neste processo são justamente os responsáveis, já que o Banco Central, em sua infinita tolerância, adiou mais uma vez o processo de regulação, lavando as mãos sobre as práticas abusivas das bandeiras.
 
Nem Papai Noel poderia ser mais generoso: sem regras nem censura - e nenhum pudor – as operadoras embrulham para si um presentão: lucros que, ao longo dos últimos seis natais, chegaram ao estratosférico percentual de 538%.

Acesse o site do PRB

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