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21-12-2010
O destino do BNB
Frente a frente, Banco do Nordeste do Brasil e agricultores expuseram esta semana em audiência solicitada por mim na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal os bastidores da crise que atinge a carteira de fomento agrícola do BNB.
Os dados apresentados pelos agricultores indicam que está em curso uma onda de execuções com potencial para incrementar as estatísticas do êxodo rural.
Pelos cálculos deles, mais de 500 mil contratos estão inadimplentes, engordados por taxas e juros que impedem a liquidação. Terras, equipamentos e até aposentadorias estão sendo arrastados para os cofres do BNB.
Ainda asseveram: o banco recusa a levar aos campos o perdão concedido pelo presidente Lula através de decretos que anistiam débitos de até R$ 10 mil e desconto de 80% para os valores acima desse patamar.
Ao longo de duas horas de debates, ficou claro que os agricultores passaram a desejar as vísceras de uma instituição em cujos cofres, abastecidos por fundos constitucionais, estão os recursos que deveriam estar otimizando o potencial dos pequenos produtores - onde reside o verdadeiro DNA do empreendedorismo nacional.
Em minha ótica, entre a idéia e a ação, o BNB teria ajustado suas coordenadas, desviando-se da missão de fomento para atuar como banco comercial. À reboque desta ação, boa parte dos gestores com a mentalidade original da instituição foram expurgados de seus quadros.
A privatização não prosperou, mas o BNB parece ter mantido uma áurea comercial. A continuar assim, pode estar cavando, com suas ferramentas contábeis, a própria vala rasa. Pois não teria fôlego para competir com os gigantes do setor privado. Nem musculatura para se igualar em estatura com instituições oficiais como Banco do Brasil e Caixa Econômica.
Se alguma brisa sopra neste horizonte, começou a ser formada na atmosfera tensa – porém produtiva - da audiência do Senado, onde o BNB, representado pela Superintendência da Paraíba, admitiu a possibilidade de equívocos nos contratos e manifestou disposição de revisá-los.
Mais importante ainda: deu garantias que continuará direcionado seus fundos constitucionais para o endereço certo: as veias do Nordeste, injetando de ânimo econômico uma região que, além das secas sazonais, foi historicamente desprivilegiada por um modelo concentrador de desenvolvimento.