Ou o paladar paraibano se acostumou com migalhas ou entramos naquela fase em que, diante da possibilidade do banquete, já ficamos com medo da indigestão.
O fato é que ouvi semana passada de um candidato, em entrevista a Rádio CBN, um sonoro “não, obrigado” para projetos estruturantes.
Até riu de pessoas que, como eu, apostam em ações como o porto de águas profundas e ramal da Transnordestina para acionar as engrenagens de nosso desenvolvimento.
O perfil da Paraíba, segundo ele, casa melhor com os micros negócios – como quem diz que nosso intestino não está preparado para digerir o filé dos investimentos, apenas o picadinho.
Claro que não ignoro o potencial dos pequenos empreendimentos (acho que neles reside o verdadeiro DNA do empreendedorismo).
Mas não têm potencial para promover uma mudança no perfil econômico do Estado. Daí porque funcionam muito bem como coadjuvantes da economia, não como prato principal.
O principal item de qualquer cardápio econômico variado e equilibrado advém das obras estruturantes. E, apesar de ridicularizá-las, o candidato em questão deve conhecer seu impacto.
Sabe disso, infelizmente, por olhar por cima do muro e espiar o que o Porto de Suape está fazendo pela economia de Pernambuco – além dos dividendos embutidos no investimento em si, gerou uma onda de micro, pequenos, médios e grandes negócios tão avassaladora que (e esta é a torcida dele) pode extrapolar a fronteira pernambucana, beneficiando a Paraíba com as sobras das demandas que os pernambucanos, já refestelados, não consigam digerir.
Não apoiar projetos estruturantes aqui, mas torcer pelas sobras das obras estruturantes lá, configura miopia ou mediocridade?
Não sou juiz da consciência alheia, mas só quem porta deficiência de visão – e uma boa dose de mediocridade – não consegue vislumbrar que também podemos ter nosso Porto de Suape.
Também podemos viabilizar investimentos que movimentem toda a cadeia produtiva do Estado – incluindo aí a capacidade empreendedora dos paraibanos.
Contar com sobras e migalhas é subestimar o apetite da nossa gente.
A mesa agora pode não estar farta, mas isto não significa que o paraibano aposte na fome. Até onde conheço esse povo, a fome aqui é por progresso, desenvolvimento, qualidade de vida.
Sabe o que de pior pode acontecer com alguns candidatos que ficam atrás nas pesquisas eleitorais? Reverter o quadro e conquistar a eleição.
Teriam, a partir daí, que cumprir o arsenal de promessas – a maioria das quais infactíveis – que destilaram numa tentativa desesperada de capturar os eleitores.
Quanto mais distante estão da possibilidade vitória, mais generosos são seus planos de gestão: vão aumentar o salário mínimo, pagar décimo quarto salário, asfaltar cada metro quadrado, pôr um telhado sob a cabeça de cada cidadão, garantir o pão e o circo sem aumentar um tostão dos impostos.
No guia pode tudo. Cabe tudo. Até porque a propaganda eleitoral não tem lei de responsabilidade fiscal aparando os delírios, reduzindo a realidade ao tamanho que ela é.
Você pode ponderar que sonhar não é pecado. E não é mesmo. Mas convidar o eleitor a sonhar um sonho impossível, embarcando-o num engodo que os cofres públicos não podem bancar, é uma vilania sem tamanho.
É brincar com a necessidade alheia. É apostar em um jogo de vale-tudo pelo poder sem chance de vitória para os eleitores, que – como descobrirão mais adiante – acreditaram em promessas vãs, impraticáveis no momento econômico.
Promessas que serão ardilosamente jogadas no fundo da gaveta do inconsciente coletivo. De onde não sairão jamais.
Esse jogo dos candidatos em desvantagem nas pesquisas, aliás, é pra lá de manjado. Está no bê-á-bá do marketing político e sustenta-se em dois pilares: de um lado, bate-se no adversário; do outro, promete-se o mundo e os planetas adjacentes.
Qual o nome do jogo? Posso tentar ser sutil. Posso exercer minha capacidade de eufemismo. Mas a palavra para estas estratégias é mentira.
Mentem demais nos guias eleitorais. Mentem para você.
É tanta mentira que já virou folclore, com capítulos especiais no anedotário nacional.
Mas, ao invés de piadas de mau gosto, deveria suscitar reação. Por exemplo: todo candidato ser obrigado a registrar suas promessas de campanha em cartório. Não cumprindo, estaria sob risco de cassação.
Assim sendo, ainda que sem garantias de estar a salvo das mentiras, o eleitor poderia encontrar no guia o que – me parece – eles nunca tiveram: respeito.
A sociedade é um organismo vivo e em constantes transformações. E, como tudo o que sai da inércia, o movimento social está sempre sendo flexionado em busca de mudanças, novos conceitos e determinações que, à priori, visam aperfeiçoar o sistema.
A maioria destas mudanças é promovida pelos representantes da sociedade.
Contrariando toda a expectativa lógica, porém, são eles, os representantes, que demonstram menos flexibilidade em relação às mudanças. Pelo menos as que não lhes favorecem.
A Ficha Limpa comprovou essa rigidez.
O que temos visto dos que não passaram na peneira da nova regra é um espernear e uma vitimização sem fim. Alegam que foram prejudicados pela retroação. Ou que já foram devidamente penalizados por suas faltas.
Evitam capitular o inevitável entendimento de que não se trata de uma nova legislação, mas de uma nova norma, uma nova regra para os que atuam no cenário político.
A diferença é sutil, mas absolutamente perceptível.
Vou dar um exemplo hipotético: se o Exército brasileiro decidisse que a partir de agora só podem ingressar em suas hostes pessoas com altura superior a 1,80, os candidatos nascidos há pelo menos 18 anos – e que estão abaixo desse gabarito – deveriam processar as forças armadas, alegando que a norma penaliza de forma retroativa, afinal quando eles nasceram nenhuma fita métrica poderia barrá-los?
Acredito firmemente que os baixinhos não abririam jurisprudência contra o Exército. Pois, hipótese à parte, nas situações reais o cidadão brasileiro tem mostrado uma grande capacidade de adaptação, entendendo que a maioria das novas regras ocorre para o aprimoramento da sociedade – um saudável exercício de cidadania.
Este é, justamente, o propósito da nova norma que nasce com o Ficha Limpa: tornar o cenário político mais saudável para os cofres públicos, varrendo das disputas agentes que sujaram seu nome e sua história.
Espernear, vitimar-se e cobrar a cumplicidade do cidadão é atestar não estar de acordo com a essência desta nova regra.
Ou seja: a de que o mínimo que um pretendente a um cargo público precisa oferecer a seus eleitores é uma trajetória à prova de qualquer peneira jurídica.
O assassinato de João Pessoa figura como um dos capítulos mais trágicos da história política da Paraíba. Poucos atentam, porém, para um fenômeno ainda mais desolador: mesmo antes dele, e incontáveis vezes depois, inúmeros governadores paraibanos tiveram seus mandatos interrompidos. Seja por morte, renúncia ou cassação.
Somos um povo azarado?
Acredite ou não, o fato é que a república tabajara está repleta de incidentes, acidentes e tragédias que nos embalaram de forma turbulenta. E certamente influenciam sobre a (in)estabilidade institucional e a saúde financeira do Estado.
Tantas mudanças bruscas criaram um quadro permanente: respondemos por míseros 0,8% do PIB nacional (o quarto menor da Federação) e estamos instalados naquela faixa do País que anda em descompasso com esse Brasil que migra para o quinto lugar no ranking econômico mundial.
Quem mais contribui para o nosso PIB é justamente o setor público (31,3%). Daí porque nossa história política está tão marcada por contendas, dissensões e traições.
Em um estado fragilizado economicamente, a máquina estatal é o alvo desse cabo de guerra entre grupos que – mais centrados na destruição de seus oponentes – esquecem de mirar nas ações de desenvolvimento.
Iniciativas que precisam ser concretizadas, a exemplo do porto de águas profundas, ramal da transnordestina, projetos de uso sustentável das águas perenizadas pela transposição, infraestrutura turística e de saneamento.
Como não acredito em azar e estou mais do que convencido de que sorte vem para quem trabalha, eis aí a origem do “mau agouro” implícito na história e até mesmo no significado, em Tupi, do nome que batiza nosso estado: Para (rio) Íba (ruim).
Com efeito, nossas mazelas nada têm a ver com o esotérico e sim com a disputa fratricida do poder pelo poder.
Como conseqüência, capítulo após capítulo, continuamos a redigir uma história com um cenário que não muda: dependemos da máquina, brigamos pela máquina, sufocamos a máquina.
E paramos a engrenagem.
Tenho recebido, através de meu site, várias mensagens deixadas por Paraibanos conscientes, que acompanham de forma crítica e cobram desempenho dos parlamentares que representam a nossa “pequenina” Paraíba no Congresso Nacional. Transcrevo abaixo alguns destes depoimentos que me deixam muito envaidecido e orgulhoso desse povo ao qual represento. Demonstrações de apoio como estas fazem todo o trabalho duro valer a pena.
“Prezado Roberto, Tenho acompanhado o seu trabalho no Senado Federal, de modo, que sinto-me feliz por termos um verdadeiro representante do povo no congresso, pois tem sido você o porta voz das necessidades do povo paraibano, seja contra os altos juros cobrados pelas agências de cartão de crédito, pela luta dos diabeticos, e pelo apelo constante as autoridade nacionais em trazer investimentos no setor produtivo da economia paraibana, como o porto de Cabedelo, malha viária e o Aeroporto Castro Pinto, dentre outras ações, é por isso que eu, na qualidade de cidadão paraibana fico feliz por ter um politico interessado em dar soluções aos problemas que enfrentamos em nosso dia a dia.”
Eurípedes Leal de Oliveira
“parabens pela sua atuação na defesa do nosso estado da pb continue sempre assim atuando muito e mostrando as beleza da nossa terra. um forte abraço”
Walter
“Boa Tarde SENADOR Que bom seria se nossa pequenina Paraiba, podesse continuar com os serviços aguerridos do Senhor, conclamamos, que o senhor mantenha-se no senado, só assim teremos a certeza que alguem lutará por nós, caso contrário voltaremos a amargar a subserviencia dos outros, que só sabem balançar a cabeça,”
Marcos Aurelio Serrano
“A Paraíba merece um senador ativo e centrado em conteúdos de relevância. A experiência de empresário de sucesso, e a sua grande atuação parlamentar, lhe credencia para mais 8 anos nos representando.”
Luiz Vieira
“Parabenizo,pelo projeto de lei apresentado hoje,para instalação de um IFET em Sapé.Eu que sempre achei que minha terra era esquecida pela classe politico,agora começo a rever meus conceitos,pois já estava propenso a não votar em ninguem.Agora o Senador pode contar com meu voto.Que Deus ilumine os teus caminhos,e que te abençoe,e sabedoria para conduzir sua tragetoria como parlamentar.”
Murilo Magno Marques Maciel
Para Participar deixando sua opinião sobre nossa atuação no Senado Federal acesse:
http://www.robertocavalcantiprb.com.br/mensagens_lista.php
Março chegou e, junto com ele, a expectativa em relação ao anúncio da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento.
O que o PAC 2 trará a Paraíba?
Para saber o que penso sobre o tema leia artigo completo aqui.
Neste mês de março o TSE apreciará minuta que recalcula a representação dos estados na Câmara Federal e assembléias, tomando como parâmetro o número de habitantes. Detalhe: os ministros farão as contas com base no Censo de 2000 – dados com uma década de defasagem. Os cálculos, já feitos, antevêem que a Paraíba, por exemplo, perderá duas vagas na Câmara dos Deputados e seis na AL.
Abordo este tema no artigo da semana: “Encolhidos”
Não resta dúvidas de que se existe um ícone nesta marcha do Brasil rumo ao primeiro mundo, certamente é a Petrobrás. Porém a postura que a entidade vem tendo em relação as denûncias referentes a obras irregulares, simplesmente ignorando-as, põe em cheque a credibilidade, respeito e orgulho da nação para com a Petrolífera.
Leia mais no artigo desta semana.
Os rumores ou boatos, definidos pelo francês Jean-Noel Kapferer como “o mercado negro da informação”, andam à solta no cenário político desde o tempo em que o fuxico chegava ao país de barco a vela…. (leia mais aqui)
Ontem eu e meus colegas de bancada, Cícero Lucena e Efraim Moraes, assinamos juntos emendas que vão beneficiar em muito a Paraíba.
Me sinto feliz e orgulhoso por este passo que demos. Não é de hoje que venho lutando insistentemente pela união dos parlamentares paraibanos – independentemente de correntes políticas – em prol do nosso Estado.
Com este fato inédito, ganha a Paraíba.

Cícero Lucena (PSDB-PB), Wilson Santiago (PMDB-PB)e Roberto Cavalcanti (PRB-PB)