Roberto Cavalcanti PRB

13 de setembro de 2010

A inflexibilidade dos fichas sujas

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Postado por: assessoriarc

A sociedade é um organismo vivo e em constantes transformações. E, como tudo o que sai da inércia, o movimento social está sempre sendo flexionado em busca de mudanças, novos conceitos e determinações que, à priori, visam aperfeiçoar o sistema.

A maioria destas mudanças é promovida pelos representantes da sociedade.

Contrariando toda a expectativa lógica, porém, são eles, os representantes, que demonstram menos flexibilidade em relação às mudanças. Pelo menos as que não lhes favorecem.

A Ficha Limpa comprovou essa rigidez.

O que temos visto dos que não passaram na peneira da nova regra é um espernear e uma vitimização sem fim. Alegam que foram prejudicados pela retroação. Ou que já foram devidamente penalizados por suas faltas.

Evitam capitular o inevitável entendimento de que não se trata de uma nova legislação, mas de uma nova norma, uma nova regra para os que atuam no cenário político.

A diferença é sutil, mas absolutamente perceptível.

Vou dar um exemplo hipotético: se o Exército brasileiro decidisse que a partir de agora só podem ingressar em suas hostes pessoas com altura superior a 1,80, os candidatos nascidos há pelo menos 18 anos – e que estão abaixo desse gabarito – deveriam processar as forças armadas, alegando que a norma penaliza de forma retroativa, afinal quando eles nasceram nenhuma fita métrica poderia barrá-los?

Acredito firmemente que os baixinhos não abririam jurisprudência contra o Exército. Pois, hipótese à parte, nas situações reais o cidadão brasileiro tem mostrado uma grande capacidade de adaptação, entendendo que a maioria das novas regras ocorre para o aprimoramento da sociedade – um saudável exercício de cidadania.

Este é, justamente, o propósito da nova norma que nasce com o Ficha Limpa: tornar o cenário político mais saudável para os cofres públicos, varrendo das disputas agentes que sujaram seu nome e sua história.

Espernear, vitimar-se e cobrar a cumplicidade do cidadão é atestar não estar de acordo com a essência desta nova regra.

Ou seja: a de que o mínimo que um pretendente a um cargo público precisa oferecer a seus eleitores é uma trajetória à prova de qualquer peneira jurídica.


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