O assassinato de João Pessoa figura como um dos capítulos mais trágicos da história política da Paraíba. Poucos atentam, porém, para um fenômeno ainda mais desolador: mesmo antes dele, e incontáveis vezes depois, inúmeros governadores paraibanos tiveram seus mandatos interrompidos. Seja por morte, renúncia ou cassação.
Somos um povo azarado?
Acredite ou não, o fato é que a república tabajara está repleta de incidentes, acidentes e tragédias que nos embalaram de forma turbulenta. E certamente influenciam sobre a (in)estabilidade institucional e a saúde financeira do Estado.
Tantas mudanças bruscas criaram um quadro permanente: respondemos por míseros 0,8% do PIB nacional (o quarto menor da Federação) e estamos instalados naquela faixa do País que anda em descompasso com esse Brasil que migra para o quinto lugar no ranking econômico mundial.
Quem mais contribui para o nosso PIB é justamente o setor público (31,3%). Daí porque nossa história política está tão marcada por contendas, dissensões e traições.
Em um estado fragilizado economicamente, a máquina estatal é o alvo desse cabo de guerra entre grupos que – mais centrados na destruição de seus oponentes – esquecem de mirar nas ações de desenvolvimento.
Iniciativas que precisam ser concretizadas, a exemplo do porto de águas profundas, ramal da transnordestina, projetos de uso sustentável das águas perenizadas pela transposição, infraestrutura turística e de saneamento.
Como não acredito em azar e estou mais do que convencido de que sorte vem para quem trabalha, eis aí a origem do “mau agouro” implícito na história e até mesmo no significado, em Tupi, do nome que batiza nosso estado: Para (rio) Íba (ruim).
Com efeito, nossas mazelas nada têm a ver com o esotérico e sim com a disputa fratricida do poder pelo poder.
Como conseqüência, capítulo após capítulo, continuamos a redigir uma história com um cenário que não muda: dependemos da máquina, brigamos pela máquina, sufocamos a máquina.
E paramos a engrenagem.
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