Sabe o que de pior pode acontecer com alguns candidatos que ficam atrás nas pesquisas eleitorais? Reverter o quadro e conquistar a eleição.
Teriam, a partir daí, que cumprir o arsenal de promessas – a maioria das quais infactíveis – que destilaram numa tentativa desesperada de capturar os eleitores.
Quanto mais distante estão da possibilidade vitória, mais generosos são seus planos de gestão: vão aumentar o salário mínimo, pagar décimo quarto salário, asfaltar cada metro quadrado, pôr um telhado sob a cabeça de cada cidadão, garantir o pão e o circo sem aumentar um tostão dos impostos.
No guia pode tudo. Cabe tudo. Até porque a propaganda eleitoral não tem lei de responsabilidade fiscal aparando os delírios, reduzindo a realidade ao tamanho que ela é.
Você pode ponderar que sonhar não é pecado. E não é mesmo. Mas convidar o eleitor a sonhar um sonho impossível, embarcando-o num engodo que os cofres públicos não podem bancar, é uma vilania sem tamanho.
É brincar com a necessidade alheia. É apostar em um jogo de vale-tudo pelo poder sem chance de vitória para os eleitores, que – como descobrirão mais adiante – acreditaram em promessas vãs, impraticáveis no momento econômico.
Promessas que serão ardilosamente jogadas no fundo da gaveta do inconsciente coletivo. De onde não sairão jamais.
Esse jogo dos candidatos em desvantagem nas pesquisas, aliás, é pra lá de manjado. Está no bê-á-bá do marketing político e sustenta-se em dois pilares: de um lado, bate-se no adversário; do outro, promete-se o mundo e os planetas adjacentes.
Qual o nome do jogo? Posso tentar ser sutil. Posso exercer minha capacidade de eufemismo. Mas a palavra para estas estratégias é mentira.
Mentem demais nos guias eleitorais. Mentem para você.
É tanta mentira que já virou folclore, com capítulos especiais no anedotário nacional.
Mas, ao invés de piadas de mau gosto, deveria suscitar reação. Por exemplo: todo candidato ser obrigado a registrar suas promessas de campanha em cartório. Não cumprindo, estaria sob risco de cassação.
Assim sendo, ainda que sem garantias de estar a salvo das mentiras, o eleitor poderia encontrar no guia o que – me parece – eles nunca tiveram: respeito.
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