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Vida Parlamentar

Pronunciamentos


15-12-2010

Afirma que Paraíba precisa de mais obras de infraestrutura

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O SR. ROBERTO CAVALCANTI (Bloco/PRB – PB. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, por diversas vezes, tenho ocupado esta tribuna para festejar os resultados do nosso crescimento econômico, a solidez da nossa economia e a projeção do nosso País no cenário internacional.


Também tenho festejado, como consequência desse desempenho, a melhoria das condições de vida e a inclusão social de milhões de brasileiros, mercê, aliás, não só do crescimento econômico, mas também das políticas públicas voltadas para a redução das desigualdades. 


O Brasil vive hoje um momento de grande otimismo, que pode ser constatado pelo humor das pessoas e pela elevação do consumo, mas também, de forma muito clara, pela confiança dos empreendedores nacionais e pelo aumento dos investimentos estrangeiros em diversos segmentos de negócios. 


A Paraíba e todo o Nordeste, Srªs e Srs. Senadores, são beneficiários desse crescimento econômico e do fortalecimento do mercado interno. 


Já comentei, aqui mesmo, neste egrégio plenário, o êxito das políticas públicas dos últimos anos, que reduziram de 50 milhões para 30 milhões o número de brasileiros muito pobres. 


Na Paraíba, a concentração de renda reduziu-se em cerca de 7% em apenas uma década, e, a ter continuidade o modelo econômico que adotamos, a geração de empregos e a distribuição da renda mudarão as perspectivas de vida de uma população que se julgava condenada ao atraso.


No que concerne aos investimentos nacionais e estrangeiros no Nordeste, os setores mais demandados são o mercado imobiliário, o turismo, o agronegócio, a área de confecções e as atividades ligadas à infraestrutura – indústria, energia, mineração e petróleo.


O setor imobiliário vive um verdadeiro boom, bastando lembrar que o Brasil só perde em investimentos nessa área, entre os emergentes, para a China.


Os voos que agora partem das capitais nordestinas para os Estados Unidos e a Europa – antes, uma exclusividade da Região Sudeste – são um indicativo de como o Nordeste atraiu investidores e turistas e de como sua própria população demanda uma prestação de serviços mais sofisticada.


Essas ponderações, Sr. Presidente, embasam uma das bandeiras da minha atividade nesta Casa, que é a necessidade de dotarmos a região Nordeste – particularmente a Paraíba, que tenho a honra de representar neste colegiado – de uma infraestrutura sólida e diversificada, capaz de sustentar a exploração de todo esse imenso potencial de riquezas.


Não poderia dizer, absolutamente, que o Nordeste tem ficado à margem dos investimentos em infraestrutura. Isso não é verdade. 


Temos acompanhado as políticas públicas que vêm modificando a paisagem regional e acenado para um período de grande prosperidade, como, por exemplo, a da Ferrovia Transnordestina. 


Esse é um exemplo, Sr. Presidente, de obra que terá grande impacto na economia nordestina, integrando-a à economia de outras regiões. A economia regional será também integrada pela complementaridade de outras obras, como o polo petroquímico de Camaçari, na Bahia, o polo cloroquímico, em Alagoas, e os complexos de construção naval e de refino de petróleo, em Pernambuco, ou ainda as atividades de siderurgia no Ceará e a produção de gás no Rio Grande do Norte, cada um à sua época.


Entretanto, as reivindicações nunca serão demasiadas para um Estado que sofre com diversas carências, como a Paraíba, e que agora vislumbra uma perspectiva de significativo desenvolvimento.


Para que essas melhorias sociais, econômicas e culturais que ora se projetam tenham continuidade e para que logremos uma situação de efetivo desenvolvimento sustentável, temos que insistir nos investimentos estruturantes e no desenvolvimento tecnológico. 


Ao lado das inversões em produção de energia, abertura de estradas, aparelhamento de portos e aeroportos e melhoria do saneamento, precisamos investir na educação de todo o povo, com ênfase nos jovens e na disseminação da tecnologia. A propósito, é gratificante observar a alta demanda pelos cursos de Engenharia da Universidade Federal da Paraíba, conforme noticiou recentemente a mídia local.


“Hoje, com a retomada do crescimento do País e o mercado cada vez mais aquecido [informou um periódico], aumenta a procura pelos cursos de Engenharia na Paraíba. 


Setores como o da construção civil, telecomunicações, metalurgia, siderurgia, petroquímico, entre outros, são os que mais padecem com a falta desses profissionais.”


De acordo com o estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI, o Brasil tem seis engenheiros para cada grupo de 100 mil pessoas, quando deveria ter pelo menos 25 para atender todas as vagas. As perspectivas para a Paraíba são muitas e muito promissoras. Entretanto, a presença da Petrobras em nosso Estado é mínima, quase invisível, enquanto muitos são os nichos para que essa presença se afirmasse e ganhasse visibilidade.


A produção de biocombustíveis, por exemplo, é uma delas. A Petrobras Biocombustível, que pretende ampliar sua presença nos mercados de etanol e biodiesel, já firmou convênios para facilitar os investimentos de 60 mil produtores de mamona, soja e girassol em vários Estados nordestinos, entre eles a Paraíba.


Mas ainda é pouco, Sr. Presidente, para o que necessitamos e pretendemos. Os paraibanos poderiam ser beneficiados também, e essa é uma sugestão para a qual solicitamos especial atenção de nossas autoridades, com instalação de um polo petroquímico em seu território, aproveitando o potencial da bacia sedimentar Pernambuco-Paraíba. 


Embora não seja tão promissora para a prospecção e a exploração de hidrocarbonetos, tem grande importância para a produção de fosfato e calcário.


Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, o Brasil, como se sabe, importa mais de 60% dos fertilizantes fosfatados.


A exploração da bacia sedimentar Pernambuco-Paraíba, portanto, pode trazer dividendos não somente para a economia regional, mas também para o incremento da produção agrícola nacional e da nossa pauta de exportações.


Nesse ponto, não há como ignorarmos a conveniência de se investir no Porto de Águas Profundas, originalmente pensado para Lucena e agora remanejado, após estudos técnicos, para Mataraca, voltado a atender os interesses de grandes navios cargueiros, bem como na modificação da Ferrovia Transnordestina, para se inserir uma alça no ramal até o citado porto.


Sr. Presidente, para finalizar, quando todo o Brasil antevê um tempo de grandes melhorias, em razão de sua economia consolidada e agora das perspectivas trazidas pelas novas reservas petrolíferas, a Paraíba não pode ficar assistindo ao progresso dos demais Estados federalizados.


E a Petrobras precisa ser sensível a essa demanda!


A Paraíba não reclama privilégios, mas não pode ser ignorada num processo de desenvolvimento que se pretende democrático e que deve trazer benefícios para todos. O povo paraibano, neste momento, espera continuar recebendo das autoridades nacionais o justo tratamento que vem merecendo até aqui e anseia pelas grandes obras estruturantes, que permitirão alavancar sua economia e contribuir para a continuidade do crescimento da região e de todo o País. 


Era este clamor, esta solicitação que faço neste momento desta tribuna para que haja sensibilização federal no tocante a despertar vocações natas paraibanas no sentido de estruturar o Estado economicamente em termos de polos autossustentáveis, polos efetivamente estruturantes de desenvolvimento.


Era isso, Sr. Presidente. Muito obrigado pelo tempo e pela cessão da oportunidade de estar aqui, nesta tribuna.


 


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