Vida Parlamentar
Pronunciamentos
22-12-2010
Se despede do Senado Federal fazendo um retrospecto das principais bandeiras de seu mandato (PARTE 2)
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Muitas vezes, só tive oportunidade de desempenhar minha função de Senador graças ao talento e à oportunidade de V. Exª presidindo a sessão. Se não tivéssemos o Senador Mão Santa, muitas destas sessões não teriam nem sido abertas. Muitas vezes, chegavam aqui dois ou três Senadores em busca de um quarto, de um terceiro para regimentalmente abrirmos a sessão. Poderíamos esperar todos falharem, menos o Senador Mão Santa. V. Exª, às 14 horas em ponto ou às 13h59, adentrava o plenário para abrir as sessões.
O Brasil é testemunha do que estou falando. A TV Senado está nos transmitindo neste momento e é testemunha desse Senador que aqui talvez tenha tido a maior soma em número de horas presidindo o Senado Federal.
Sou eu que agradeço o aparte e as referências elogiosas de V. Exª.
Apresentei pessoalmente ao Presidente Lula uma minuta de decreto que transforma essas empresas de cartão de crédito em instituições financeiras – o que elas de fato já são sem serem formalmente reconhecidas como tal. Essa simples ação seria um passo decisivo no sentido de tutelar as administradoras e controlar esse tipo de abuso.
Busquei, ao longo de minha breve atuação parlamentar, trazer para o conhecimento dos brasileiros, as questões que afligem os paraibanos.
A Ferrovia Transnordestina e a transposição do Rio São Francisco, por exemplo, são duas obras com enorme potencial para beneficiar o Estado da Paraíba, mas exigem nossa atenção permanente, nossa cobrança diária, para que os paraibanos não sejam preteridos.
Alertei para a baixa quantidade de obras do PAC a serem realizadas na Paraíba, qualidade e quantidade, e cobrei do Governo Federal mais iniciativas para o nosso Estado, sempre tão carente de obras importantes de infraestrutura, como saneamento básico, transporte, portos, transmissão de energia e sistemas de irrigação.
Nesses dois anos de Senado, portanto, utilizei-me desta tribuna para reclamar, brigar, repudiar, elogiar, comentar, cobrar, esclarecer, alertar, comunicar.
Foi um período ímpar da minha vida. Eu, que achava que já tinha visto quase tudo o que havia para se ver, não tinha ideia de que a experiência no Senado seria tão enriquecedora e, em alguns momentos, tão emocionante.
Uso como síntese desses momentos marcantes, pela catarse e pelo acerto de contas que representou para o imaginário coletivo, o dia 2 de junho deste ano, quando o Plenário desta Casa promoveu Vinícius de Moraes a Ministro de Primeira Classe da carreira diplomática. O projeto, que surgiu de uma iniciativa do Presidente Lula, foi aprovado pela Câmara e pelo Senado e gerou a Lei nº 12.265, de 21 de junho de 2010.
Por uma feliz coincidência, eu exercia o mandato de Senador quando, em setembro de 2006, Vinícius de Moraes foi reintegrado aos quadros do Itamaraty. Quis o destino, quatro anos depois, que eu também estivesse no Senado quando aqui tramitou o processo de sua promoção ao cargo mais alto da carreira diplomática. Ambos os atos, o de reintegração e o de promoção, têm várias dimensões de significado. Eles simbolizam, antes de tudo, o resgate de nossa história e a reparação de erros do passado.
O próprio Vinícius se definiu, no “Samba da Bênção”, como “poeta e diplomata/O branco mais preto do Brasil”. Para ele, as duas atividades, a poesia e a diplomacia, estavam inseparavelmente unidas.
Ao exonerá-lo do Itamaraty, portanto, a ditadura fez muito mais do que deixá-lo desempregado: ela retirou de Vinícius uma parte importante de sua identidade. Sua reincorporação e sua promoção representam, assim, a afirmação da importância da arte para a cultura do País.
“A hora do sim é um descuido do não”, como disse o poetinha na canção “Sei lá”.
Apesar dos momentos difíceis, no fim das contas “a vida tem sempre razão”, e somos felizes de viver o suficiente para testemunhar esse tipo de reparação.
Por tudo isso, por essa carga histórica e simbólica e por tudo o que ela representou para a cultura brasileira, a sessão em que aprovamos a promoção de Vinícius de Moraes foi, sem dúvida, um dos momentos mais emocionantes que presenciei como testemunha privilegiada da história.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, como disse Vinícius em outra canção, “é preciso dizer adeus”. Despeço-me desta Casa com a certeza de que, a ela, dediquei o máximo da minha capacidade de trabalho.
Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, comprovei a importância do trabalho em equipe para a realização de nossas metas e pude sentir a força e vigor da nossa democracia. Impressionou-me a competência, o conhecimento, o profissionalismo e a prontidão dos servidores da Casa.
Meus agradecimentos sinceros a todos vocês – aos funcionários do meu gabinete – não posso nominá-los, todos foram sensacionais –, pelo apoio permanente e incondicional. Aos servidores da Secretaria-Geral da Mesa, das Comissões, das Consultorias Legislativa e de Orçamentos, cujo conhecimento técnico sobre o processo legislativo constitui o principal acervo desta Casa.
Aqui, um parêntese: Sr. Presidente, Srªs Senadoras e Srs. Senadores, venho da imprensa, tenho alma e DNA de homem de comunicação. Sei reconhecer o trabalho de qualidade dos meus iguais. Assim, o meu faro jornalístico não poderia deixar de reconhecer um tributo especial de reconhecimento aos homens e mulheres que fazem da TV, da Rádio e do Jornal do Senado, veículos de comunicação de primeira linha.
A eles e a elas, os meus cumprimentos e o meu melhor obrigado pela parceria que soubemos construir.
Obrigado também à turma do cafezinho, garçons, fotógrafos, copeiras, que nos transmitem tanta simpatia e amor pelo Senado; aos policiais legislativos, que garantem um ambiente seguro para o desenvolvimento dos nossos trabalhos. Enfim, a todos os servidores do Senado Federal, que contribuem diariamente para a grandeza desta Casa, muito obrigado!
Volto, agora, para a iniciativa privada, mas com um senso de missão renovado, profundamente influenciado pelos anos que passei aqui nesta Casa, onde convivi com mestres e fiz muitos amigos que guardarei na minha memória afetiva, como tesouros preciosos que serão, eternamente, parte de mim mesmo.
Sr. Presidente, peço mais um instante, até pela equidade de tempo. Não tomarei mais do que cinco minutos.
Volto para o lugar de onde nunca saí. Volto para minha família, minha mulher, Sandra Moura, por quem tenho extrema gratidão pela tolerância, pelo companheirismo, pela amizade, por entender a minha ausência.
Volto para meus filhos – Alice,.Beatriz, Roberto Filho, Lucas e Bruna; volto para o braço das minhas noras e meus genros; volto para meus netos – Maria Beatriz, Bruna, Paulino, Roberto Neto, Bárbara e Maria Clara; volto para meus amigos; volto para meus companheiros de trabalho; volto para meu mar, minhas praias; volto para minha Paraíba.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Acir Gurgacz. PDT – RO) – Meus cumprimentos, Senador Roberto Cavalcanti, permita-me saudá-lo pelo seu brilhante trabalho nessa Casa. Para mim foi uma honra compartilhar com V. Exª os trabalhos aqui no Senado. Pode ter certeza de que V. Exª me inspirou, me ajudou e me ensinou muito a iniciar meu trabalho nesta Casa.
Portanto, meus cumprimentos, meus parabéns e espero contar com V.Exª também em outras oportunidades para conversarmos e debatermos. E quero ficar a sua inteira disposição, aqui nessa Casa, naquilo que puder ser útil, será um prazer estar sempre com V. Exª.
Meus cumprimentos e muito obrigado pela maneira carinhosa com que V. Exª me recebeu aqui nesta Casa.
O SR. ROBERTO CAVALCANTI (Bloco/PRB – PB) – V. Exª é merecedor de todo carinho do mundo. Agradeço inclusive pela tolerância do tempo.
Muito obrigado.